Câmara realiza simpósio sobre autismo em adultos e desenvolvimento da fala

Abertura do Simpósio e Importância da Inclusão

Na noite do dia 10 de abril de 2026, foi realizado o 3º Simpósio sobre Autismo no Salão Nobre da Câmara Municipal de Piracicaba. O evento reuniu especialistas e o público, com ênfase na comunicação, no desenvolvimento da fala e nas dificuldades enfrentadas por adultos com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A iniciativa partiu do vereador André Bandeira (PSDB), que já havia estabelecido a Frente Parlamentar de Proteção às Pessoas com TEA e suas famílias.

André Bandeira, ao abrir o simpósio, enfatizou a importância de lutar pela inclusão não apenas para autistas, mas para toda a sociedade. “A busca por uma sociedade mais inclusiva não é apenas uma questão de autismo, mas de respeito às diferenças de maneira geral. Queremos que todos tenham voz e direito à participação”, afirmou, destacando a necessidade de um debate contínuo sobre o tema.

Palestra sobre Comunicação e Linguagem

A primeira palestrante do evento foi a fonoaudióloga Renata Bertagnoli, que apresentou seus métodos inovadores para estimular a fala em crianças. Ela começou abordando mitos comuns relacionados à aquisição da linguagem, esclarecendo que meninos estão mais propensos a enfrentar problemas de fala e, portanto, necessitam de mais estímulos precoces.

autismo

Renata afirmou que, em geral, crianças começam a falar entre um e um ano e meio. “Se ultrapassarem esse período sem começar a se comunicar, é fundamental buscar ajuda especializada”, alertou. A fonoaudióloga também fez uma distinção importante entre estímulo e tratamento, afirmando que para um desenvolvimento saudável da fala, é necessário que os familiares estejam envolvidos no processo.

Desmistificando Crenças sobre a Fala

Durante sua palestra, Renata conduziu dinâmicas práticas com a audiência, ensinando como os pais podem melhorar a comunicação com seus filhos. Ela destacou a importância do contato visual, a variação do tom de voz e a necessidade de brincadeiras lúdicas como ferramentas essenciais para o desenvolvimento da linguagem. “A comunicação é um direito essencial e deve ser promovida desde os primeiros anos de vida numa parceria com a família”, reiterou.

O Papel da Família na Estimulação

A especialista enfatizou que a atuação conjunta da família e dos profissionais é vital para o sucesso na estimulação da fala. Renata apresentou o seu método ABC da fala, que consiste nas seguintes etapas:

  • Ação Correta: Saber como brincar com a criança.
  • Brincar no Chão: Atuar na altura da criança, facilitando a interação.
  • Continuação: Repetição e manutenção do diálogo.

Ela finalizou sua apresentação destacando que cada resposta da criança, mesmo que não verbal, é uma forma de comunicação e um passo à frente no desenvolvimento de suas habilidades comunicativas.



O Que é o TEA e Seus Sintomas

A segunda palestra foi proferida pela psicóloga Rebeca Paschoal Padulla, que compartilhou insights sobre o TEA em adultos. Rebeca comentou que, frequentemente, o diagnóstico de transtornos relacionados ao espectro autista acontece após vários outros diagnósticos, como ansiedade ou depressão.

Ela explicou que a avaliação correta dos sintomas é crucial, pois muitos profissionais falham ao olhar o diagnóstico de forma isolada, desconsiderando as manifestações que indicam o autismo. Dentre os principais sintomas que ela abordou, estavam: ansiedade, sobrecarga sensorial, isolamento social e a sensação de inadequação que muitos adultos autistas enfrentam.

Desafios do Diagnóstico em Adultos

Um conceito importante que Rebeca introduziu foi o de “masking”, que se refere ao esforço que muitos autistas fazem para esconder seus traços autísticos, imitando o comportamento de pessoas neurotípicas, o que pode ser mentalmente cansativo.

Rebeca relatou que a Lei Brasileira de Inclusão (13.146/2015) pede uma avaliação biopsicossocial para diagnósticos de deficiência, enfatizando que essa avaliação deve compreender o funcionamento do indivíduo dentro do seu contexto social.

Importância do Apoio Psicológico

A psicóloga concluiu seu discurso enfatizando a singularidade de cada indivíduo. “Cada autista tem suas particularidades. Se entendermos isso, podemos proporcionar um suporte verdadeiramente inclusivo e eficaz”, apontou, alertando que a abordagem deve ser sempre contextualizada e específica para cada caso.

Reflexões de um Autista em Cargo Público

O ex-vereador Jorginho Mota, que fez história por ser o primeiro autista a ocupar um cargo público no Brasil, teve um espaço especial no simpósio. Jorginho compartilhou sua experiência pessoal com o autismo e os desafios que enfrentou ao longo de sua vida, desde a infância até a sua jornada política.

Ele relembrou momentos difíceis, incluindo episódios de bullying na escola, onde enfrentou agressões físicas e verbais. “Aprendi a dominar as minhas emoções, mas foi uma trajetória dolorosa”, comentou, ressaltando a importância da empatia e do entendimento nas relações sociais.

Aspectos Legais da Inclusão

Jorginho destacou a importância de famílias que cuidam de pessoas com TEA e pediu a todos que não apenas falem sobre inclusão, mas que se comprometam a agir. Ele concluiu a palestra mencionando sua mãe, enfatizando o cuidado, a dedicação e o papel vital que ela teve na sua vida, defendendo a importância do respeito e do acolhimento às famílias atípicas.

Como Construir uma Sociedade Inclusiva

O eventou concluiu com as reflexões sobre como todos na sociedade podem contribuir para a inclusão. O simpósio teve a presença de outros profissionais que complementaram o evento com suas experiências, proporcionando um espaço rico em aprendizado e troca de ideias sobre como avançar na inclusão de pessoas com TEA.

A troca de conhecimentos e experiências, somada à abertura para o diálogo, é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva, onde todos, independentemente de suas diferenças, possam encontrar um espaço de acolhimento e dignidade.