A Ministra e o Pacto Nacional contra o Feminicídio
No dia 18 de março de 2026, a ministra da Mulher, Márcia Lopes, compareceu à Câmara Municipal de Piracicaba com uma proposta fundamental: a assinatura do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, uma iniciativa do Governo Federal voltada a intensificar as medidas de proteção às mulheres em todas as áreas de atuação pública. Durante o evento, a ministra enfatizou a necessidade de uma Secretaria Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres, um passo essencial para garantir que as ações devem ter um direcionamento claro e intersetorial.
Necessidade de uma Secretaria Municipal da Mulher
A criação de uma Secretaria Municipal voltada especificamente para políticas públicas destinadas a mulheres foi um dos principais pontos abordados por Márcia Lopes. Ela argumentou que uma estrutura adequada é vital para que se possa avançar nas medidas de proteção e promoção dos direitos das mulheres em Piracicaba. A intersetorialidade é, segundo a ministra, fundamental para lidar com a complexidade da violência de gênero, que exige a colaboração entre diversos setores, como saúde, educação, segurança e assistência social.
Impacto do feminicídio em Piracicaba
Piracicaba enfrenta um grave problema relacionado ao feminicídio, refletido nas alarmantes estatísticas apresentadas durante o evento. A vereadora Rai de Almeida destacou que, frequentemente, a violência contra as mulheres ocorre nas relações mais próximas, gerando um ciclo vicioso de agressões que muitas vezes terminam em assassinato. Dados recentes indicam que quatro mulheres são assassinadas por dia no Brasil e que, mesmo no estado de São Paulo, esses índices são crescentes. Em Piracicaba, foram registrados 27 casos de feminicídio em 2026, o que ressalta a urgência de ações práticas e imediatas.
Eventos e presença de líderes locais
No evento, estavam presentes diversas autoridades e lideranças locais, incluindo o presidente da Câmara, Rerlison Rezende, e a vereadora Sílvia Morales. Essas figuras ressaltaram a importância de políticas públicas que realmente integrem as diversas esferas de poder. A presença das deputadas estaduais Ana Perugini e Bebel também foi significativa. Elas trouxeram à tona a pauta importante do feminicídio e propuseram estudos e monitoramentos que possam contribuir para a compreensão das causas desse problema em Piracicaba.
Testemunhos e depoimentos sobre a violência
Durante o encontro, a delegada Olívia Fonseca, responsável pela Delegacia de Defesa da Mulher em Piracicaba, compartilhou relatos alarmantes sobre o aumento dos registros de violência doméstica. Olívia enfatizou que o número de pedidos de medidas protetivas aumentou significativamente, dobrando em comparação aos anos anteriores. Segundo ela, 92% desses pedidos foram deferidos, evidenciando a ideia de que as mulheres buscam proteção, mas muitas vezes chegam à delegacia após sofrerem violências graves.
Estatísticas alarmantes sobre feminicídio
As informações fornecidas pela deputada federal Bebel foram impactantes: Piracicaba e São Carlos estão entre as cidades do interior de São Paulo com os maiores índices de feminicídio. Ela sugeriu a criação de um observatório que ajude a entender por que essas cidades apresentam números tão alarmantes. Além disso, destacou que o município abriga 22 mil mães solo, sublinhando a necessidade de implementar políticas que atendam suas demandas, como a criação de creches com horários amplos para facilitar a vida dessas mulheres trabalhadoras.
Importância da intersetorialidade nas políticas
A intersetorialidade se revelou um tema essencial durante o evento. A combinação de esforços entre os diversos setores, como educação, saúde e assistência social, foi abordada por várias autoridades. A ministra Márcia Lopes argumentou que é crucial integrar os serviços prestados a mulheres, afirmando que não pode haver políticas para mulheres sem colaboração entre as diferentes áreas. A ideia é que cada atuação, seja no âmbito judicial ou nas redes de apoio social, esteja alinhada para enfrentar a violência de forma estruturada e eficaz.
Propostas de soluções e ações imediatas
A necessidade de um pacto amplo e que envolva todos os municípios foi outra proposta discutida. Deputada Ana Perugini comentou que apenas o endurecimento das leis penais não é suficiente. Segundo ela, é necessária uma mudança cultural que envolva educação e conscientização desde a infância sobre a Lei Maria da Penha e as formas de reconhecer a violência doméstica. Além disso, pediu por mais recursos e empenhos efetivos para que as políticas contra o feminicídio sejam devidamente implementadas.
Compromisso dos vereadores na luta
Os vereadores de Piracicaba se comprometeram a lutar por melhorias nas políticas voltadas às mulheres. O presidente Rerlison Rezende expressou que a Câmara Municipal está aberta a pautas em defesa dos direitos das mulheres e que trabalhará para encaminhar a proposta da construção de uma nova Delegacia de Defesa da Mulher. Este espaço é visto como fundamental para o trabalho de combate à violência e acolhimento seguro para as vítimas.
O futuro da política para mulheres em Piracicaba
A ministra Márcia Lopes concluiu seu discurso reafirmando que a criação do Ministério das Mulheres é uma resposta inédita e necessária para fortalecer políticas públicas no Brasil. Ela pediu um comprometimento genuíno de todos os poderes e enfatizou que a ação conjunta entre as esferas pública e privada é o único caminho para uma atuação efetiva em prol dos direitos das mulheres. O futuro, segundo a ministra, depende do envolvimento constante de toda a sociedade na luta pela igualdade de gênero e no enfrentamento à violência.
O evento, marcado por momentos de reflexão e compromissos firmados, deixa claro que a luta contra o feminicídio e a violência de gênero precisa ser contínua. Para que exista uma mudança real, é preciso que cada município, incluindo Piracicaba, se mobilize e tome ações efetivas para proteger e promover os direitos das mulheres. Rai de Almeida se comprometeu a continuar a busca por sensibilizar o Executivo a criar a Secretaria Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres, o que representa uma esperança de um futuro mais seguro e justo para todas as mulheres em Piracicaba.

